sexta-feira, 15 de julho de 2011

Sutilezas


Como num delírio infantil, nós caminhávamos juntos por Paris sem nos acusar, mesmo sabendo que pertencíamos aos bêbados e às prostitutas - mas o sabíamos silenciosos e assim eu desejava encher o mundo com essa ternura pouca que jamais admitimos. E não me envergonhava por tudo em nós que inspirava suscetibilidade, porque sua marcha grave não oprimia a minha dança e nós apenas caminhávamos juntos por Paris, com modos vulneráveis e tímidos sob a chuva que jamais desejou sobrepujar os homens.


Interlúdio:


quinta-feira, 14 de julho de 2011

Carlinhos Lyra

...então não vamos mais brigar
Saudade fez um samba em seu lugar
Saudade fez um samba em seu lugar

Lua linda essa!!! Uma mini colêtanea para alegrar o coração de vocês...

1 - Lobo bobo
2 - Saudade fez um samba
3 - Se é tarde me perdoa
4 - Maria Ninguém
5 - Você e eu

Interlúdio: Viajar é preciso, viver não é preciso...






quarta-feira, 13 de julho de 2011

Só mais uma coisinha:

...vejo o mundo girando e penso que poderia estar sentindo saudades
Em japonês, em russo,
em italiano, em inglês...
mas que minha saudade,
por eu ter nascido no Brasil,
só fala português, embora, lá no fundo, possa ser poliglota. (Lispector)


Interlúdio:


segunda-feira, 11 de julho de 2011

Niente

Faça como os elefantes. Quando estão tristes, eles vão embora.

Trânsito, transitar, transitório.



Em memória dos instantes em que nos desobrigamos do direito à própria voz e lançamos mão do clichê e da impessoalidade para permanecermos ancorados à superfície das coisas. E da rapidez e pressa do dia a dia e do medo do abismo que existe no outro e que nos impede de viver e transitar apesar dos sinais fechados. E da fala truncada perante a escassez das palavras e das trocas impossíveis e da fugacidade dos (des)encontros e das histórias que escrevemos com giz...
Sinal Fechado representa para mim um sinal de alerta sobre o perigo inerente a esse transitar estéril, abreviado, resumido que dispensamos ao mundo quando tememos nos comprometer. Amém aos que ficam. E VIVA LA REVOLUCIÓN!!!


Sinal Fechado
Composição: Paulinho da Viola

- Olá! Como vai?
- Eu vou indo. E você, tudo bem?
- Tudo bem! Eu vou indo, correndo pegar meu lugar no futuro... E
você?
- Tudo bem! Eu vou indo, em busca de um sono tranqüilo...
Quem sabe?
- Quanto tempo!
- Pois é, quanto tempo!
- Me perdoe a pressa - é a alma dos nossos negócios!
- Qual, não tem de quê! Eu também só ando a cem!
- Quando é que você telefona? Precisamos nos ver por aí!
- Pra semana, prometo, talvez nos vejamos...Quem sabe?
- Quanto tempo!
- Pois é...quanto tempo!
- Tanta coisa que eu tinha a dizer, mas eu sumi na poeira das
ruas...
- Eu também tenho algo a dizer, mas me foge à lembrança!
- Por favor, telefone - Eu preciso beber alguma coisa,
rapidamente...
- Pra semana...
- O sinal...
- Eu procuro você...
- Vai abrir, vai abrir...
- Eu prometo, não esqueço, não esqueço...
- Por favor, não esqueça, não esqueça...
- Adeus!
- Adeus!
- Adeus

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Periférica, marginal

Imagem de Acossado (1959)  do Godard

- Nós nos escondemos como os elefantes felizes.
- As ancas das mulheres são comoventes.

Há quem diga que Godard é um chato. Mas eu o amo como se ama um anarquista ou um tapa na cara do bem-feito, como se ama tudo aquilo que insulta e subverte e agride e acaba por não ter para onde ir. Por que é isso que liberta e fascina... e é assim, só assim, que se alforria a linguagem. E finalmente a imaginação pode filmar como achar melhor.  


Interlúdio:

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Niente

Frida Kahlo

Ainda a ouço gritar: e a sensação que nunca mais me deixou: meu corpo carrega em si todas as chagas do mundo. Te escreverei um dia, Jack. Sobre a minha dor, a minha excitação, a minha febre e essa vontade de destruir tudo... e sobre a moralidade do mundo que eu matei em mim.  Só o caos me impulsiona. Me livrei da culpa, Jack, e espero que você entenda, eu estava cansada de tudo aquilo, dos mesmos nomes, de combater ou adiar nossos momentos de amor, que são estórias púrpuras  de destruição e entrega e morte e dor. Eu pareço idiota, Jack? Eu te pareço humana em demasia, minha vida? Nos tornamos novos ali sentados enquanto silêncios fluíam em sobressalto. Eu te amo, Jack. Deitada nos braços de Hugos, Henriques e Eduardos, eu imediatamente amo você com tudo aquilo que não amadureceu em mim.  E com o meu misticismo, a minha ternura insuportável e essa vergonha manchada de verde.

terça-feira, 5 de julho de 2011

Eu tenho mais de vinte mundos




Ontem de manhã quando acordei
Olhei a vida e me espantei
Eu tenho mais de 20 anos
E eu tenho mais de mil perguntas sem respostas

Terça de inverno. Hoje, mais do que nunca, sei que o que me move é a intensidade, assim como é a dor que inspira a escrita - mas isso não importa agora. Folheei um caderninho de notas antigo e percebi que as coisas mais verdadeiras são aqueles espaços que permanecem em branco, geralmente entre uma anotação e outra. São nesses intervalos em que eu me esvazio, custo a dormir, atravesso as ruas e acendo outro cigarro. O registro existe para aliviar o peso da lembrança, tenho escrito pouco por querer esquecer pouco. Não quero musicar a minha inquietude, o meu ideal, nem uma ou duas coisas que sei sobre aquele garoto que me canta sambas antigos, porque qualquer crônica acabaria com a possibilidade de revisitar essas sensações. Farei viente e dois anos amanhã, não cantarei isso em versos e nunca estive tão próxima da poesia: estou impregnada do cheiro do dia a dia, dos homens, das rodoviárias, das ciganas, do sal, dos bêbados que me confessam palavras estrangeiras, sem rima, sem métrica, sem meios-tons.


Interlúdio:




terça-feira, 28 de junho de 2011

Os ninhos desfeitos




"O meu mundo não é como o dos outros, quero demais, exijo demais, há em mim uma sede de infinito, uma angústia constante que nem eu mesma compreendo, pois estou longe de ser uma pessimista; sou antes uma exaltada, com uma alma intensa, violenta, atormentada, uma alma que não se sente bem onde está, que tem saudade...sei lá de quê!'' [Florbela Espanca]

segunda-feira, 27 de junho de 2011

1968

Ricky Ferreira

Apanhando silêncios impronunciáveis, experimentado o ''desregramento de todos os sentidos''. Ouuuuuuuuutttttttt

Interlúdio: